Publicada em 28/09/2026 às 08h00 (atualizada há 28/09/2026 - 08:00)

O sofrimento psíquico no ambiente de trabalho também é uma realidade no Poder Judiciário. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST) apontam índices significativos de estresse e ansiedade entre magistrados e servidores, reforçando a importância de ações permanentes de promoção da saúde mental, prevenção ao suicídio e acolhimento emocional.
Segundo o Censo do Poder Judiciário 2023, realizado pelo CNJ, 58,5% dos magistrados declararam apresentar estresse e 56,2% relataram ansiedade. Entre os servidores, 47,9% indicaram ansiedade e 37,4% estresse. O cenário evidencia os impactos da sobrecarga, da pressão por produtividade e do intenso volume de trabalho sobre a saúde e a qualidade de vida.
Sofrimento psíquico e fatores de risco
Nesse contexto, o sofrimento psíquico intenso, quando negligenciado, pode evoluir para quadros graves de depressão e ideação suicida. No âmbito do Judiciário, alguns fatores relacionados à organização e às condições de trabalho podem contribuir para o agravamento do sofrimento emocional.
Pressão por produtividade
A exigência contínua de cumprimento de metas e de superação de gargalos processuais pode gerar sensação de sobrecarga permanente, especialmente diante do elevado volume de processos e das responsabilidades inerentes às atividades desempenhadas.
Exposição à dor humana
Magistrados e servidores lidam diariamente com litígios complexos, conflitos familiares, situações de vulnerabilidade e diferentes formas de sofrimento humano. Essa exposição contínua pode produzir desgaste emocional e exigir estratégias adequadas de cuidado e proteção à saúde mental.
Assédio e relacionamentos tóxicos
Ambientes de trabalho marcados por relações abusivas, assédio moral, discriminação ou conflitos persistentes podem intensificar sentimentos de isolamento, desamparo e sofrimento emocional. Reconhecer esses fatores é fundamental para que as instituições possam atuar não apenas diante do adoecimento, mas também de forma preventiva, promovendo ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e acolhedores.
Prevenção começa com informação e acolhimento
Quando o assunto é prevenção ao suicídio, é fundamental desmistificar o adoecimento mental e combater o estigma que ainda pode associar o pedido de ajuda à fraqueza profissional. Procurar apoio diante de uma situação de sofrimento é uma atitude de cuidado e coragem. Por isso, capacitações, ações socioeducativas e iniciativas voltadas à saúde mental são importantes para magistrados, servidores, gestores e demais trabalhadores do Judiciário, contribuindo para o reconhecimento precoce dos sinais de sofrimento e para o encaminhamento adequado aos serviços de apoio. Nesse sentido, órgãos de controle e tribunais vêm fortalecendo políticas institucionais de cuidado e prevenção.
Política de Atenção à Saúde
A Resolução CNJ nº 207/2015 instituiu a Política de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores do Poder Judiciário, fortalecendo ações de promoção, prevenção e cuidado em saúde, inclusive na área de saúde mental.
Combate ao assédio
A Resolução CNJ nº 351/2020 instituiu a Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação no âmbito do Poder Judiciário, buscando prevenir e combater condutas que possam comprometer a saúde, a dignidade e o bem-estar no ambiente de trabalho.
Gestão dos riscos psicossociais
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) amplia a atenção à identificação e ao gerenciamento dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho, reforçando uma mudança de perspectiva: atuar preventivamente sobre as condições de trabalho antes que o sofrimento se transforme em adoecimento. A prevenção ao suicídio, portanto, deve ser compreendida como uma responsabilidade coletiva. Cuidar da saúde mental significa também construir relações de trabalho mais humanas, reconhecer sinais de sofrimento e facilitar o acesso à ajuda.
Tem Luz no Fim do Túnel
A mensagem da campanha Setembro Amarelo 2026 do TRT-6 — “Tem Luz no Fim do Túnel” reforça que ninguém precisa enfrentar o sofrimento sozinho. Servidoras, servidores, magistradas, magistrados e demais pessoas do Tribunal, que estejam vivenciando sofrimento relacionado ao trabalho, podem e devem procurar uma rede de apoio. Falar sobre sofrimento é um ato de cuidado. Procurar ajuda é um sinal de força. Há caminhos possíveis e pessoas dispostas a ajudar. Confira:
. Centro de Valorização da Vida (CVV) que oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188 e por seus canais oficiais.
. Divisão de Saúde – Seção de Saúde Mental e Serviço Social
(81) 3225-3496 | (81) 3225-3497
saude.mental[at]trt6.jus[dot]br
. Secretaria de Gestão de Pessoas
(81) 3225-3350
Subcomitê de Prevenção e Enfrentamento da Violência, Assédio e Discriminação
Referências:
1. CNJ aprimora coleta de dados sobre saúde mental no... Portal CNJ https://www.cnj.jus.br › cnj-aprimora-coleta-de-dados-s...
2. Saúde mental e qualidade de vida no Poder Judiciário e no ...Suprema: Revista de Estudos Constitucionais Https://suprema.stf.jus.br › suprema › article › view
3. Nova NR-1 amplia prevenção de riscos para a saúde TSThttps://www.tst.jus.br
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Texto: Seção de Saúde Mental e Serviço Social / Imagem: Eduardo Aguiar


