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IMUNIDADE E ESTRESSE: UMA REFLEXÃO QUE VALE A PENA FAZER EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS

Confira abaixo o texto produzido pela Seção de Saúde Mental do TRT6 com dicas para enfrentar o período de isolamento social com mais autocuidado e autoconsciência. A unidade mantém serviço on-line de atendimento psicológico e orientação em coaching  para magistrados, servidores e seus dependentes.  Mais informações: saudemental@trt6.jus.br

IMUNIDADE E ESTRESSE: UMA REFLEXÃO QUE VALE A PENA FAZER EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS

Fomos pegos de surpresa!

De súbito, fomos convocados a mudar radicalmente nossa rotina. O que poderia se chamar de obsessivo e disfuncional do ponto de vista de saúde mental (lavar as mãos muitas vezes, não sair de casa nem pra ir à padaria, isolar-se socialmente), de repente, tornou-se recomendação médica. Criança sem ir pra escola, nem pensar? Agora é ordem! Fora isso, há os medos do contágio em nós e em nossos entes queridos e o estresse de estarmos lidando 24 horas com as crianças e com os parentes, todos com seus medos e suas aflições afloradas.

Se você está se vendo neste cenário, saiba que você não está só. É coletiva a questão de como lidar com este isolamento da melhor maneira possível.

É de todos nós!

Não obstante o cenário seja este, a forma de lidar com os fatos, a forma como se encara a situação é, sem dúvida, importante para agravar ou minimizar os efeitos de uma crise.

À medida que os dias de isolamento se passam, já assimilamos nossas novas obrigações com a higiene corporal, já acompanhamos gráficos e tabelas explicando a situação e finalmente o “fique em casa” atingiu muitos, até alguns teimosos. Ótimo! Temos que passar agora para outra fase, embora mantendo toda esta dinâmica de cuidados físicos.

Chegou a hora de refletirmos como anda a nossa higiene mental. No dia a dia, tão importante quanto escovar os dentes e tomar banho, é sanear nossa mente. Isso já é uma verdade em dias normais e merece mais atenção considerando todos os fatores estressantes a que estamos sendo submetidos nestes últimos dias e, ainda, a previsão de que esta situação vai durar por um tempo.

Pensando nisto, a Seção de Saúde Mental passará a dar dicas de como passar por este momento de isolamento e crise coletiva, prevenindo o adoecimento mental ou minimizando seus efeitos.

A primeira dica se refere a estarmos atentos e observarmos a relação entre o estresse e a imunidade.

Antes de tudo, necessário se faz definir o estresse, já que o uso popular desse termo passou a ser muito abrangente. Há uma confusão quanto ao enquadramento do estresse, pois de um lado podemos pensá-lo como sendo algo externo que nos acomete (Ex.: viver em época de coronavirus é um estresse) e de outro entendê-lo como sendo a forma como lidamos com este algo externo (com o coronavirus – e logo penso: estou estressado!).

O Dr. Hans Selye, primeiro a popularizar o termo estresse, através de estudos em 1950, definiu o estresse como sendo “a resposta não específica do organismo a qualquer pressão ou demanda”. Neste sentido o estresse seria a resposta e o estressor o evento que o produz.  Kabati-Zin (professor Emérito de Medicina e diretor fundador da Clínica de Redução do Stress e do Centro de Atenção Plena em Medicina na Escola Médica da Universidade de Massachusetts.), em seu interessante livro “Vivendo a catástrofe total”, comentando esta definição assevera que nesta terminologia o estresse é a resposta total do organismo (corpo e mente) a qualquer contexto estressante vivenciado.

A questão torna-se mais complexa quando se observa que o estressor pode ser externo (uma situação como a pandemia) ou interno (os sentimentos e pensamentos da pessoa em relação à pandemia). (KABATI-ZIN, 2017).

Kabati-Zin (2017) enfatiza que “trinta anos antes do surgimento do campo da psiconeuroimunologia, Selye já sabia que o estresse podia comprometer a imunidade e, portanto, a resistência a agentes infecciosos”.

Os estudos mostram, cada vez mais, que “o estresse suprime a formação de novos linfócitos e a sua liberação na corrente sanguínea, além de encurtar o tempo de permanência na circulação dos linfócitos já existentes. Inibe também a produção de novos anticorpos em resposta aos agentes infecciosos e prejudica a comunicação entre os linfócitos (...). Tudo isso é causado por estressores dos mais variados tipos, físicos e psicológicos” (SAPOLSKY, 2008)

Então, além de todos os cuidados físicos, torna-se muito importante cuidarmos, neste período, dos nossos pensamentos, sentimentos e emoções.  Procurarmos refletir que medidas estamos tomando ou deixando de tomar que favorecem ou não os estressores a se manifestarem também é uma forma importante de combater o coronavírus.

MEDIDAS PARA ADMINISTRAR O ESTRESSE EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL

  1. Crie uma rotina. Procure organizar o horário de acordar, de dormir, de fazer as principais refeições, de trabalhar (caso esteja em teletrabalho), de cuidar das crianças, de organizar a casa, de dar um tempo para si mesmo, etc. O seu organismo físico e a sua saúde mental ganham muito em qualidade com esta atitude. Claro que exceções podem existir. Mas, de forma geral, tenha uma rotina.
  2. Evite passar muito tempo do seu dia colhendo muitas informações sobre o coronavirus. Destine um tempo para este fim, mantenha-se informado, mas sem exageros. O excesso de informações não ajuda quando o assunto é estresse. Se sentir que as informações estão lhe afligindo muito, pode parar de procurar por informações, pedindo a algum parente ou amigo para lhe informar apenas algo mais relevante que exija de você alguma atitude (ex.: é recomendado se vacinar! Ou, houve mudança nas determinações que vão afetar as orientações do seu trabalho!)
  3. Evite passar muito tempo conectado a aparelhos eletrônicos. Eles podem ser nossos aliados pois podemos assistir a um bom filme, fazer vídeo-chamadas para os que amamos e tivemos que nos distanciar, mas o uso excessivo de celulares, computadores e televisão contribuem para um maior nível de estresse.
  4. Procure se manter ocupado, mas sem exageros. Sentir-se ativo, produtivo, faz muito bem! O ócio, quando não criativo ou o sono em excesso não são boas estratégias de diminuir o estresse.
  5. Tire um tempo para relaxar, descansar, parar. O excesso de tarefas, o estar muito atarefado todo o tempo, também aumenta o estresse. Deve haver um equilíbrio entre o se manter ocupado e o números de intervalos para descanso. Para os que apreciam, meditar ou fazer orações são ações muito importantes.
  6. Se faz uso de algum medicamento contínuo ou algum tipo de tratamento, não se esqueça dele neste período de isolamento. Também é importante se alimentar bem, sem esquecer dos alimentos ricos em vitamina c e nutrientes importantes ao bom funcionamento do sistema imunológico.
  7. Se tiver angustiado, não fique calado. Peça ajuda. Converse com alguma das pessoas que estão na sua casa , se houver e se  se sentir à vontade. Ligue para um amigo ou um parente, caso não se sinta à vontade de desabafar com seus familiares que estão no mesmo ambiente que o seu. Se necessário procure ajuda psicológica!
  8. Tenha calma diante de conflitos. Considere que, com a situação, todos estão mais suscetíveis a desentendimentos. Tenha calma, e, na medida do possível, assuma uma atitude conciliatória, sem contudo se culpar quando não é possível.
  9. Pratique Mindfulness (atenção plena)! Posteriormente, vamos dar orientações para aqueles que se interessarem em conhecerem ou aprofundarem sobre esta prática.
  10. Guarde uma atitude de gentileza não só para com os outros mas também para si próprio.
  11. Procure não tomar decisões muito importantes (casar, separar, mudar radicalmente algo importante). O estresse vivenciado , no momento, pode criar cenários que serão passageiros.
  12. Se você próprio ou alguém de sua família se encontra com o COVID-19 ou ainda com suspeita, lembre-se que muitos nesta situação tiveram êxito nos tratamentos e se curaram. Tome todas as providências, procurando não se desesperar.

FORAM UTILIZADOS NA CONSTRUÇÃO DESTE TEXTO OS SEGUINTES LIVROS

1)POR QUE AS ZEBRAS NÃO TÊM ULCERAS (Robert M. Saposky -2007)

2)VIVER A CATÁSTROFE TOTAL (Como utilizar a sabedoria do corpo e da mente para enfrentar o estresse, a dor e a doença)(JON KABAT-ZIN – Edição de  2017)