Publicada em 27/03/2026 às 12h20 (atualizada há 27/03/2026 - 12:25)

O combate ao tráfico de pessoas e a manutenção do patamar civilizatório nas relações de trabalho centralizaram os debates da manhã da quarta-feira (25/3), durante o segundo dia da 2ª Reunião Ordinária do Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor). Em palestra acompanhada por gestores da Justiça do Trabalho de todo o país, o desembargador-corregedor do TRT-6 (PE), Paulo Alcantara, apresentou dados alarmantes sobre a lucratividade do crime organizado e as estratégias institucionais para o enfrentamento dessa violação de direitos humanos.
De acordo com o magistrado, o tráfico de pessoas movimenta atualmente cerca de 3 trilhões de dólares anualmente em escala global. O montante já supera o faturamento do tráfico de armas, ficando atrás apenas do mercado de entorpecentes, embora a exploração humana apresente uma lógica econômica ainda mais perversa e vantajosa para o criminoso. Alcantara explicou que, ao contrário das drogas, que são consumidas e exigem reposição constante de estoque e produção, o ser humano é tratado como uma mercadoria reutilizável, podendo ser submetido a abusos contínuos por anos a fio. O desembargador pontuou ainda a dificuldade de fiscalização, uma vez que não existem dispositivos de detecção biológica para vítimas de tráfico, como ocorre com substâncias ilícitas.

O presidente do TRT-6, desembargador Ruy Salathiel, também participou do encontro e acompanhou a apresentação
Ao classificar a prática como cruel e inumana, o palestrante reforçou a importância do rigor terminológico na condução desses casos, defendendo a utilização do termo "abusadores" em detrimento de "pedófilos". Segundo ele, a mudança de nomenclatura retira o foco de uma possível conotação psicológica ou patológica e enfatiza a natureza criminal da exploração. Durante a exposição, Alcantara também detalhou os protocolos de compliance adotados e a atuação do grupo de trabalho que coordena, destacando a necessidade de uma rede de inteligência articulada.

Parte inicial da apresentação feita pelo desembargador Paulo Alcantara
O magistrado destacou que enfrentamento ao crime depende de uma cooperação interinstitucional que atravessa fronteiras. O desembargador relatou o trabalho conjunto realizado com o Poder Judiciário, organizações não governamentais e forças de segurança, como a Polícia Federal brasileira e agências de investigação dos Estados Unidos. Como ferramenta prática para a sociedade e o sistema de justiça, foi reafirmada a existência de um canal direto para o recebimento de informações e denúncias de casos suspeitos, por meio do endereço eletrônico: traficodepessoas[at]trt6.jus[dot]br.
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Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6)
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Texto: Kamilla Barreto (TRT-19) / Foto: CSJT


