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Arquivo-Geral do TRT-6 completa 30 anos preservando documentos, direitos e memórias

Em outubro de 2026, o Arquivo-Geral do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) completa 30 anos de instalação. Criado em outubro de 1996, em Vitória de Santo Antão/PE, o espaço atravessou três décadas acompanhando profundas transformações na Justiça Trabalhista: o crescimento da documentação em papel, a consolidação da gestão documental, a valorização dos processos como fontes históricas e, mais recentemente, a transição para o ambiente digital. Por suas estantes passaram milhões de páginas contendo reclamações, depoimentos, acordos, sentenças, recursos e outros registros produzidos no exercício da atividade jurisdicional. Documentos criados para assegurar direitos e registrar a atuação da Justiça, mas que, com o passar do tempo, também se tornaram testemunhos das relações de trabalho e das transformações sociais e econômicas ocorridas em Pernambuco.

Uma história que começa em 1996
A instalação do Arquivo-Geral em Vitória de Santo Antão, em outubro de 1996, respondeu à necessidade de organizar e custodiar a crescente quantidade de processos e documentos produzidos pelo Tribunal. A unidade foi inaugurada pela presidente do Tribunal à época, desembargadora Irene de Barros Queiroz. O prédio recebeu o nome do ex-servidor José Soares Brandão, falecido em 1995, depois de haver prestado 35 anos de serviços à Justiça do Trabalho. O arquivo foi instalado numa área construída de dois mil metros quadrados, dividida em dois pavimentos. A obra, edificada ao lado da Junta de Conciliação e Julgamento de Vitória de Santo Antão, foi iniciada na gestão do ex-presidente Gilvan de Sá Barreto. Ao longo dos anos, entretanto, ficou cada vez mais evidente que parte desse acervo possuía valor que ultrapassava sua utilização administrativa e jurídica. Os processos, também, poderiam ser utilizados como fontes para conhecer a história da Justiça Trabalhista, dos trabalhadores e das relações de trabalho em Pernambuco.

Essa percepção ganhou força no início dos anos 2000. Em 2003, o pesquisador suíço Luc Banderet começou a explorar a documentação existente no Arquivo-Geral, contribuindo para chamar a atenção para suas possibilidades de pesquisa. O diálogo entre pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco e o TRT-6 resultou, em dezembro de 2004, na formalização de uma cooperação para preservação e pesquisa. Cerca de 15 meses depois, uma primeira remessa de, aproximadamente, 16 mil processos foi encaminhada à UFPE. A iniciativa cresceu, e cerca de 200 mil processos trabalhistas produzidos entre 1943 e 1985 passaram a integrar o conjunto preservado em cooperação com a instituição de ensino. Esses documentos tornaram-se fontes para pesquisas sobre salários, jornadas, condições de trabalho, greves, relações sindicais e diferentes aspectos da história social e econômica do estado.

Da guarda à gestão documental
Ao mesmo tempo em que se reconhecia o valor histórico de parte do acervo, o crescimento da documentação exigia procedimentos sistemáticos de avaliação e destinação. A gestão documental passou a conciliar duas atividades igualmente importantes: preservar os documentos de valor permanente e eliminar, de forma criteriosa e de acordo com as normas aplicáveis, aqueles que já haviam cumprido seus prazos de guarda.

Em 2011, após reforma, o Arquivo-Geral foi reinaugurado e passou a contar com arquivos deslizantes, ampliando sua capacidade de armazenamento. Naquele período, também foi iniciada a transferência de quase 100 mil processos das Varas do Trabalho do Recife para Vitória de Santo Antão. Nos anos seguintes, o trabalho de avaliação documental ganhou escala. Em janeiro de 2014, o Arquivo armazenava em torno de 1,7 milhão de processos judiciais, além de documentos administrativos, e recebia cerca de 50 mil novos documentos por ano. Mais de 122 mil processos dos anos de 1986 e 1987 já haviam sido eliminados depois de submetidos aos procedimentos de avaliação. Em 2015, aproximadamente 350 mil processos já haviam sido avaliados, triados e catalogados, demonstrando a dimensão do trabalho necessário para administrar a massa documental acumulada ao longo de décadas.

Modernização e acesso
A infraestrutura, também, acompanhou esse processo de transformação. Em 1º de fevereiro de 2017, foram inauguradas novas instalações do anexo do Arquivo-Geral, proporcionando maior capacidade de armazenamento e melhores condições para a guarda e o tratamento dos documentos. As formas de acesso ao acervo também evoluíram. A adoção de procedimentos de agendamento e de ferramentas informatizadas passou a facilitar a organização das consultas e a localização dos processos solicitados por unidades do Tribunal, advogados, pesquisadores e cidadãos. Mesmo com a expansão do processo eletrônico, o acervo físico permanece ativo. Em 2023, por exemplo, o Arquivo-Geral recebeu 22.291 processos encaminhados pelas varas do Trabalho para conferência, organização e arquivamento. No mesmo ano, foram registradas 766 solicitações de consulta presencial, envolvendo 2.812 processos.

Documentos que ajudam a contar a história de Pernambuco
Ao longo dessas três décadas, também se transformou a compreensão sobre o significado do acervo. Os processos trabalhistas não registram apenas a atuação do Poder Judiciário. Suas páginas preservam experiências de trabalhadores e empregadores, reivindicações salariais, condições de trabalho, greves, acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, organização sindical e transformações econômicas e sociais. Em Pernambuco, essa documentação permite investigar aspectos da industrialização, das usinas e dos canaviais, do trabalho urbano e rural e das mudanças ocorridas nas relações de trabalho desde a primeira metade do século XX. A cooperação entre o TRT-6 e a UFPE contribuiu para ampliar essa utilização, transformando os processos preservados em fontes para monografias, dissertações, teses e outras pesquisas acadêmicas.

Acervo em processo de tombamento
O reconhecimento do valor histórico dessa documentação ganhou uma nova dimensão com a abertura do processo destinado ao tombamento do acervo histórico do TRT-6 como patrimônio cultural de Pernambuco. A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco realizou inspeções nos três espaços que custodiam parcelas desse patrimônio: o Memorial da Justiça do Trabalho de Pernambuco, no Recife; o Arquivo-Geral, em Vitória de Santo Antão; e o Laboratório de História e Memória do TRT-6/UFPE (LAHM), instalado na Universidade Federal de Pernambuco. Em abril de 2026, representantes da Fundarpe estiveram no Arquivo-Geral para conhecer sua estrutura, os fluxos de tratamento documental e as práticas de conservação e gestão do acervo. Em junho, a visita ao LAHM/TRT-6/UFPE encerrou o ciclo de inspeções previsto naquela etapa do procedimento.

As informações levantadas subsidiam a continuidade da instrução do processo de tombamento, que considera aspectos como a representatividade histórica, a relevância social e a importância do conjunto documental para a preservação da memória das relações de trabalho em Pernambuco. O procedimento ainda está em tramitação, mas possui significado especial no ano em que o Arquivo completa três décadas. Documentos que,  inicialmente, exigiam soluções de guarda e armazenamento são, hoje, reconhecidos por seu potencial para contar a história do trabalho e da própria sociedade pernambucana.

Do papel ao digital
Os 30 anos do Arquivo-Geral, também, coincidem com uma transformação profunda na produção documental da Justiça do Trabalho. Durante grande parte dessa trajetória, a atividade jurisdicional foi registrada predominantemente em papel. A implantação do Processo Judicial Eletrônico alterou essa realidade e reduziu progressivamente a produção de novos autos físicos. O desafio da preservação, contudo, não desapareceu. Mudou de suporte. Se a preservação do papel exige cuidados com espaço, acondicionamento e condições ambientais, os documentos digitais apresentam novos desafios relacionados à autenticidade, integridade, metadados, formatos, obsolescência tecnológica e garantia de acesso ao longo do tempo.

30 anos preservando direitos e memórias
A história do Arquivo-Geral foi construída pelo trabalho de gerações de magistradas, magistrados, servidoras, servidores, estagiárias, estagiários, colaboradoras e colaboradores que receberam, organizaram, avaliaram, localizaram, preservaram e disponibilizaram documentos. A essa trajetória somam-se pesquisadoras, pesquisadores, professoras, professores, estudantes e instituições parceiras que contribuíram para revelar a importância histórica do acervo. Trinta anos depois de sua instalação em Vitória de Santo Antão, o Arquivo-Geral chega a 2026 diante de novos desafios. O processo judicial tornou-se predominantemente eletrônico, as políticas de gestão documental e memória foram ampliadas e novas tecnologias oferecem outras possibilidades de preservação e acesso à informação.

Ao mesmo tempo, o processo de tombamento evidencia uma transformação particularmente simbólica: documentos acumulados durante décadas para atender às necessidades da atividade jurisdicional passam a ser reconhecidos, também, como parte do patrimônio cultural de Pernambuco. Muda o suporte. Mudam as tecnologias. Mudam as formas de produzir, organizar e acessar a informação. Permanece, contudo, uma responsabilidade essencial: preservar documentos para assegurar direitos, garantir acesso à informação e manter viva a memória da Justiça do Trabalho e da sociedade pernambucana. Aos 30 anos, o Arquivo-Geral do TRT-6 não guarda apenas processos. Guarda direitos, histórias e parte da memória do trabalho em Pernambuco. 

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Matéria de teor meramente informativo, sendo permitida sua reprodução mediante citação da fonte.
Coordenadoria de Comunicação Social (CCS)
Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6)
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Texto/Imagens: Memorial do TRT-6